Imagens sem controle

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O processamento de dados não tolera o acaso. Se você está conseguindo ler isso é porque nenhum acaso se intrometeu entre os ordenadores de informação que são o meu e o seu computador. Mas eu você, pelo menos por enquanto, não somos computadores. E pode crer que nesse processo que tenta coordenar nossos horários, expectativas, emoções e sonhos – e que tem conseguido reduzir a subjetividade de alguns de nossos exemplares a um circuito interno de uma máquina de processar cartões de estacionamento – existem iniciativas pululando por aí tentando nos lembrar de um fato de fundamental importância: sim, estamos vivos.

Depois de matutar muito, descobri que criar imagens com filmes negativos dentro de uma caixa de fósforos coberta de fita isolante é uma atividade libertadora. Não há como controlar a quantidade de luz que irá formar a imagem, e o tempo de exposição da luz sobre o filme vai do empirismo e do humor de quem está lidando com a caixa. Não é nem mesmo possível prever o enquadramento através de um visor. E é maravilhosamente satisfatório ou frustrante pegar as imagens ampliadas em papel e aceitar o acaso que permeia tudo isso. Claridades, obscuridades, tremores, recortes: a poesia do descontrole.

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Texto: Ale Lucchese
Fotos: Ale Lucchese e Thais Brandão (Ale com pinlux)
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