Os caça-fantasmas

Esse negócio de manter um blog diário é um grande desafio. E eu e Thais sabíamos disso, tínhamos ciência do trabalho que iria dar. Mas topamos igual, porque era uma forma de manter um certo fio condutor cronológico numa vida sem rotina. E também porque assim iríamos descobrindo sobre o que temos vontade de escrever ou fotografar, para onde a nossa atenção focaria e de onde extrairia o suco do cotidiano pra despejar aqui.

E sempre há o temor de descobrir que não se tenha nada para extrair desse dia-a-dia. E é o que vem acontecendo aqui. E é por isso que esse blog não tem cumprido com muito afinco o compromisso diário de postar.

Não pediremos desculpa, pois cremos que o maior índice de respeito ao leitor é não estar nem aí pra ele. E não escrevo isso pra me justificar, e sim apenas para me expressar e tentar vislumbrar um pouco melhor qual é o fantasma que anda por aí assombrando dessa vez.

Sei lá eu, descobrirei nos próximos posts. Ou talvez ainda nesse de hoje. Ou talvez nem descubra. Chega. Até.

Texto: Ale Lucchese
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Os dentes, um drama

Venho com pesar informar que a natureza é implacável e, mesmo a milhares de quilometros de um dentista, nossos dentes podem insistir em doer. É por isso então que uma das coisas fundamentais a se fazer a antes de pegar a estrada em uma longa viagem é ir no tal dentista. Lamentalvelmente, é verdade.

Pois venci o ódio mortal que tenho por esses profissionais e tive que encarar o consultório de uma dentista nessa semana, pra poder ficar relax durante a grande trip d’Os Estrangeiros de 2010. Pois até que ela não era má, e além disso é uruguaia e pode conseguir um lugar pra ficar quando for para lá.

Pois bem, devia fazer uns quatro anos que eu não ia no dentista. Descobri que tenho vários dentes quebrados, cáries e mais uma infinidade de pequenas surpresas. E hoje terei de fazer uma radiografia que possivelmente me fará descobrir coisas ainda piores. Fora isso, tenho um desgaste excessivo nos dentes da frente por conta do maxilar estar mais pra avante do que deveria. Ainda vou descobrir se tenho cisos, se deverei extrai-los, de que forma, essas coisas… Ah, e talvez também tenha bruxismo.

E olha que falei aí em cima só de problemas funcionais, se formos mexer na estética, aí sim a lista seria longa. Isso que não fumo, escovo os dentes três vezes ao dia, passo fio dental  e uso fluor antes de dormir. Ou seja, cuidando ou não, os dentes apodrecem do mesmo jeito.

O maior problema disso, é que tratar tudo isso demora um ou dois meses. Portanto, se  você quer encarar um viagem longa, vá com bastante antecedência a um desses sanguinários e implacáveis carniceiros um competente profissinal da área. Te desejo boa sorte – sei que você irá precisar.

Texto: Ale Lucchese

Hora do Mergulho

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Não passasse o Niágara de uma catarata de areia, viajaríeis mil milhas para vê-la? Por que o pobre poeta do Tennessee, ao receber inesperadamente dois punhados de prata, hesitou em comprar um casaco, de que ele tristemente necessitava, e gastar seu dinheiro numa viagem a pé à praia de Rockaway? Porque quase todo rapaz robusto e sadio, de alma robustae sadia dentro dele, numa ocasião ou noutra fica louco para ir para o mar? Por quê, em vossa primeira viagem como passageiro, vós  mesmos sentistes uma vibração tão misteriosa, quando vos disseram pela primeira vez que vós e o navio já não podíeis divisar a terra? Por que os antigos persas consideravam sagrado o mar? Por que lhe atribuíram os gregos um deus especial, o próprio irmão  de Jove? Por certo tudo isso não deixa de ter sentido.  E ainda é mais profundo o sentido daquela história de Narciso, que, por não poder pegar a imagem atormentadora e suave, mergulhou nela e afogou-se. Mas essa imagem, nós mesmos a vemos em todos os rios e oceanos. É a imagem do inegarrável fantasma da vida; e esta é a chave de tudo.

Trecho de “Moby Dick”,  de Herman Melville, em homenagem aos copos de água destes finais de semana cada vez mais abstêmios.
Foto de http://www.flickr.com/photos/stevewall/

O homem do terno branco

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Na próxima segunda-feira, o novojornalista Tom Wolfe será aplaudido de pé no Salão de Atos da UFRGS, em Porto Alegre. Nas primeiras filas, estarão pesquisadores de jornalismo, alguns lamentando que o salão não está completamente lotado, mas certos de que os caros bilhetes que deixaram na entrada os diferencia da ignorância e imaturidade que grassa sobre o resto da população porto-alegrense.  Ah, o doce fetiche da compra de conhecimento…

Mas enfim, devo parar de criticar a boiada e cuidar do meu próprio nariz – até porque, no meio dos que aplaudem surdos, sempre existem aqueles que não foram lá para serem ludibriados. Ou seja: não se pode generalizar. É que sei lá, fico agudamente triste de ver alguém como Tom Wolfe vindo falar em um conferência  destas, que poderia trazer tanta gente mais interessante – aaaah, por que não convidam o Gary Snyder para palestrar aqui antes que ele morra?

Depois de tanto pesquisar sobre Novo Jornalismo para minha monografia, constatei humildemente uma coisa: Wolfe é uma espécie de palavra divina quando se fala em Novo Jornalismo. Mas por que? Não sei, talvez porque ninguém se deu conta de que a opinião dele não é mais legítima do que de qualquer outro pesquisador apenas porque ele esteve diretamente envolvido e foi o primeiro a tentar sistematizar a parada em texto. É como se todas as pesquisas sobre tropicalismo utilizassem apenas alguma definição do Caetano Veloso como válida para o movimento.

Tom Wolfe precisa ser superado. Até porque seu texto sobre new journalism é, no mínimo, de qualidade duvidosa – apesar de ser bem sedutor e gostoso de ler. Esse papo de que a literatura abandonou a realidade e de que assim cometeu um erro, putz, que balela… Um artista tem que estar preocupado em se expressar, se isso coincidir com o gosto do púiblico, tudo bem. Se não coincidir, tudo bem também. Não há certo ou errado. E depois ainda vem dizer que a ficção não terá mais função em nossa sociedade. Não sei não ein, acho que o homem sempre precisará sonhar. Em tempos de reality shows, o fenômeno de vendas é uma série sobre vampiros. E não vai deixar de ser assim. Queira o homem de terno branco ou não.

Texto: Ale Lucchese

É bucha!

Dell Logo qdComo acredito mesmo que “informação é poder”, quero aproveitar esse espaço pra contar minha (péssima) experiência com a marca de computadores Dell e alertar futuros compradores.

Comprei um notebook dessa marca em dezembro de 2007 pra uso doméstico.  No meio deste ano a fonte (carregador) apareceu queimada. Pois bem, sem saber do que se tratava na verdade, adquiri uma segunda fonte achando que a primeira tinha ficado velha. Então, um mês depois a segunda queimou. Percebi que o problema deveria ser no notebook,  pois além de ser muita coincidência 2 fontes queimarem em pouco intervalo de tempo, quando o note inicializava aparecia um aviso dizendo que a bateria não estava sendo reconhecida  havia algumas semanas.

Minha idéia inicial foi, por motivos óbvios, ligar para a Dell. Foi aí que um atendente, sem nunca ter visto o meu notebook, apenas pelo meu relato, me disse que só de saída teria que comprar uma bateria de 9 células nova, porém que era interessante que eu fosse numa assistência qualquer pra ver qual era o problema realmente já que a Dell NÃO POSSUI assistência técnica autorizada para equipamentos fora da garantia. Me passou para o setor de compras no qual uma mocinha me falou que por uma bagatela de quase R$ 600,00 reais eu poderia adquirir uma bateria nova.

Pensei: me ralei. Estou f.

Levei em um técnico no centro de Porto Alegre  e quando cheguei lá, só pela cara do rapaz já fiquei cheia de maus pressentimentos, achando mesmo que a solução seria bem simples: a lata do lixo. Após algumas semanas de análise, fui informada que a peça (um componente da placa-mãe) havia entrado em curto circuito e que não havia como fazer a reposição.

Já quase sem esperanças levei o notebook para uma segunda assistência, em frente à anterior. Lá me deram um laudo de que o problema era outro. Tentei ligar de novo para a Dell e dessa vez fui informada de que poderiam fazer um diagnóstico do problema pelo telefone, mas para isso precisaria que o computador estivesse ligado. Porém, é obvio que não ligaria ele em fonte alguma sob o risco de danificar mais um equipamento.  O atendente só teve a me dar os pêsames pois não havia outra maneira de me ajudar. Voltei à assistência (do centro) e autorizei o conserto num valor de R$ 250, 00, com garantia de 3 meses. Um dia depois peguei o computador pronto e até agora não deu problema algum.

Apesar de ter bons computadores, infelizmente não é possível confiar em uma empresa que não disponibiliza assistência técnica apropriada e de fácil acesso para seus produtos que não estão mais na garantia. Ou seja, é preciso mendigar atendimento, correr atrás de peças caras e escassas, ou então adquirir planos de garantia estendida que custam pequenas fortunas. Ah, ainda há saída desesperada de desistir do seu notebook com problema, jogá-lo no lixo, contribuindo para a enorme lixeira digital que vem se tornando nosso mundo, e comprar um micro novinho em folha (e assim não se incomodar pelo menos até vencer sua garantia). Simples: basta comprar DELL.

Texto: Thais Brandão e Ale Lucchese

Vá de Go Outside

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Gente, quem não conhece precisa conhecer: a revista Go Outside é um achado para quem curte viagem, aventura, esportes, etc. Nunca cheguei a ter uma em mãos, mas o site é bem bacana,  dá pra acessar várias reportagens das diversas edições da revista.

A edição nº 52 (outubro/2009) é sobre equipamentos, com muitas informações úteis para que na hora da compra se saiba no que  prestar atenção e o que é requisito indispensável na aquisição de uma mochila, barraca, tênis de corrida (rua e trilhas), botinas, casacos e por aí vai.

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A dica tá dada, agora corre lá e dá um conferis!

Boas aventuras.

Texto: Thais Brandão

Vapor barato

Na semana passada, na quinta-feira, houve um encontro aberto ao público e com entrada franca em Porto Alegre com a monja Coen. Acredito que estávamos ali cerca de 150 pessoas, ouvindo com muita atenção cada palavra dita pela monja. Não há como resumir aqui tudo o que foi dito, sentido, vivido ali. E nem é minha intenção.

Nesse dia chuvoso, na segunda fila do auditório, estava eu com os olhos cravados em uma leitura do Satolep, de Vitor Ramil, menos para ler do que para escapar do pânico de estar no meio de tantos rostos e corpos desconhecidos. Por mais velho que fique, essa medo intransigente é uma coisa que não deixa de me acompanhar e que só cabe a mim acolhê-lo como algo meu e conviver com ele da melhor maneira possível.

Então ali na segunda fila, escondendo os olhos em Satolep, começava a enxergar Selbor, o protagonista, em uma casa ilhada por uma tempestade, acendendo álcool numa lata para amenizar o frio. E do fogo da lata ele acende um cigarro marca-diabo feito a mão. E da fumaça começa o sarau imaginário onde Selbor divaga sobre o fogo, que na visão de Heráclito, tudo consome e tudo gera.

A palestra então começa. A monja fala por pouco mais de uma hora. Então começam as perguntas. Alguém está curioso para  saber qual é a experiência e interpretação do Vazio para a monja. Tudo é vazio pois tudo é pleno de possibilidades, fluido, nada poder ser apreendido, pois no mesmo instante já não é o mesmo. E para ilustrar isso,  monja  Coen cita o mesmo Heráclito de Selbor: “não é possível entrar duas vezes no mesmo rio”.

Somos todos o mesmo, seja no ocidente ou no oriente. Seja na tempestade ramilonga em Satolep ou na garoa fria da rua Sete de Setembro em direção à minha casa.

Texto: Ale Lucchese