As estrangeiras

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É certo que quem curte lomografia já encontrou seu espaço aqui nesse blog. E é para esses, ou para quem quer se iniciar nessa prática que o post de hoje é dedicado. Comparamos aqui as duas câmeras lomográficas de 120mm mais populares para você conhecer melhor cada uma delas – e quem sabe decidir onde investir seu rico dinheirinho.

Como bom muquirana, começo considerando o preço. A Holga 120 CFN costuma variar entre R$ 170,00 e R$200,00. Enquanto isso, a Diana F+ beira em torno dos R$ 300,00. Se você anda muito mal das pernas, ainda há a opção de comprar a Holga 120 N (tudo igual a CFN, mas sem flash), que fica um pouco mais em conta. Mas, na buena, se você quer mesmo economizar, não se atire a fotografar em 120mm: os filmes são mais caros, o processo de revelação é mais caro, o processo de escanemento é mais caro… tudo é (bem) mais caro do que o tradicional 35mm. Há boas opções lomo em 35mm.

Mas se você está irremedivelmente seduzido pelo 120mm, devo dizer que o preço mais alto da Diana em relação a Holga pode compensar, dependendo do tipo de usuário que você é. Além de um livro bem bacana que acompanha a Diana, é preciso dizer que ela tem duas boas vantagens: o flash que é puro charme e uma maior variedade de opções de abertura de diafragama.

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O flash que acompanha a F+ é removível e vem com adaptador para ser usado em outras máquinas com sapata. Enquanto isso, a Holga CFN tem o flash embutido, não podendo ser usado em outras câmeras, deixando a tradicional russa mais volumosa que a Diana.

Além disso, a Holga conta com apenas duas aberturas de diafragma, enquanto a Diana apresenta quatro possibilidades. Essa vantagem da Diana permite obter maior sucesso em situações mais diversificadas de luz.

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Acima é possível ver, à direita, o símbolo de nuvem, que indica diafragma aberto para ocasiões de menos luminosidade, e à esquerda as quatro opções da Diana.

Então, se você pode investir mais e já saca um pouco de fotografia a ponto de não se atrapalhar com comandos de diafragma, valeria a pena investir na Diana. Agora, se você está começando, a Holga será certamente uma ótima opção.

Texto: Ale Lucchese
Fotos:  Thais Brandão
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Flâneur lomográfico

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Wladymir Ungaretti coleciona horas e horas de olhares, conversas e imagens pelas ruas de Porto Alegre. Jornalista e professor universitário, Ungaretti dedica sua vida a aguçar o olhar crítico de seus alunos e leitores em relação à grande imprensa, assim como busca construir uma prática diferenciada do ofício – tanto na apuração, quanto em texto e imagens.

O estilo flâneur tem se firmado na virada editorial do seu blog Ponto de Vista, projeto que já completou seu terceiro aniversário. A câmera de Ungaretti não é uma barreira, e sim um instrumento que o ajuda a se aproximar dos personagens que encontra pelas calçadas. E também não é uma máquina de alcançar resultados, e sim uma peça que desvela e o faz mergulhar ainda mais fundo na verdade labiríntica que se esconde por trás desta selva de pedra.

O ensaio abaixo é resultado dessa prática. Feito com uma câmera lomográfica  – Holga, filme negativo 120, Iso 400 -, vemos a grande angular de plástico abaular construções, saturar cores e aprofundar contrastes, fazendo o observador repensar e redescobrir a paisagem.

Desde 1973, quando comprou sua primeira Pentax na lendária casa Cambial, Ungaretti vem colecionado negativos e mais negativos de Porto Alegre – ele estima ter em torno de seis mil fotogramas. Ainda é preciso somar as imagens digitais – sim, o flâneur chegou a ter uma Mavica (aquela câmera que funciona com um disquete), e continua acompanhando e experimentando novas  (e velhas) tecnologias.

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Veja e leia mais no blog Ponto de Vista.

Fotos: Wladymir Ungaretti
Texto: Ale Lucchese