Quelônios ninja

Santa tartaruga! Lembra o desenho animado das tartarugas que habitavam o esgoto de uma grande cidade e viviam grandes aventuras? Pois é, aqui em Porto Alegre a realidade superou a ficção: os quelônios ninja estão por aí. Se vivem grande aventuras não sabemos, mas sua morada é nas águas imundas do esgoto que deságua todos os dias no Arroio Dilúvio.

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Texto: Ale Lucchese
Fotos: Thais Brandão

Fotógrafos-que-nos-fazem-viajar: Loretta Lux

Vou ser sincero com vocês: não venho acompanhando como gostaria o mundo fotográfico. E foi pensando nisso que minha sempre atenciosa companheira Thais, centro-avante da nossa editoria de fotografia, veio estender a mão para me salvar do abismo de letras em que eu me encontrava e lembrar que existem outras imagens além das tipográficas. E o resgate veio através de uma simples frase: “saca só o trabalho dessa mina“.

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A mina em questão é essa aí de cima é Loretta Lux, alemã que usa o retrato como meio de expressão artística. Seu trabalho é moroso, demoraaaado – às vezes pode passar um ano inteiro para produzir três ou quatro fotos, mas atinge suas expectativas pessoais: alcança a aura de pinturas que lembram o Romantismo.

E não é só Loretta que parece estar feliz com seu trabalho. Com o reconhecimento internacional, ela foi uma das principais estrelas do Paraty em Foco – o mais conhecido evento sobre fotografia do Brasil, que encerrou sua edição de 2009 na semana passada. Hospedando-se fora de Paraty e fazendo questão de não ser fotografada nem filmada, sua reclusão também contribuiu para criar expectativa em torno de si. Quando subiu no palco para falar de seu trabalho, não decepcionou. O relato de Clicio Barroso, que esteve lá, é sensacional: leia aqui.

Para sacar melhor qual é a da mina recomendo duas entrevistas: essa e essa outra. Curtam.

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©Loretta_Lux

Fotos: Loretta Lux
Texto: Ale Lucchese

Re-habitar

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Não há como negar que somos estrangeiros ocupando terra de outrém. Não que a terra tenha dono, o fato é que estamos há quinhentos anos tentando plantar um modo de vida que não diz respeito a esse lugar. Pode ser daí que tenhamos perdido nossa conexão com a terra. O espaço aqui não é sagrado, o espaço é um obstáculo  para plantar aqui a Europa que foi negada a nossos ancestrais.

Impressiona como esse processo nos cega. E um bom exercío para enxergar melhor é plantar os pés em lugares que são apenas de passagem, vivenciar demoradamente o espaço que é não convencionado para ficar, e sim para atravessar. Olhar, ouvir, respirar.

Todas as fotos desse post foram feitas em uma caminhada por três quilômetros do Arroio Dilúvio: uma fonte de vida que pulsa no meio da metrópole, e que tentam fazer você crer que é barulhento, feio e perigoso. Não, não é. Basta parar e ver.

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Texto: Ale Lucchese
Fotos: Thais Brandão – Câmera Canon Rebel XTi – ISO 100.

Um rolé no Jardim Botânico

Às vezes chega o fim de semana e bate aquele tédio. Um saco. Tu trabalha a semana inteira esperando enfim por momentos de diversão e se vê mergulhado no mais completo marasmo. Justamente num desses dias, resolvi me embrenhar no Jardim Botânico, sem nenhum compromisso. Chegando lá me deparei com um lugar bonito, calmo, ótimo para desestressar, quase uma ilha nessa confusão em que tem se transformado Porto Alegre. Levei minha câmera e tirei várias fotos, um bom exercício para quem gosta de clicar a natureza e nem sempre pode viajar. Tá certo que não é a Patagônia, mas é o que temos para o momento! A seguir uma amostrinha do que deu pra fazer…

Mimo-de-vênus (Hibiscus sp.), Jardim Botânico_Porto Alegre  (RS)_04.05.09Mimo-de-vênus (Hibiscus sp.)

Ginkgo biloba, Jardim Botânico_Porto Alegre (RS)_04.05.09Ginkgo biloba

Urucum (Bixa orellana), Jardim Botânico_Porto Alegre (RS)_04.05.09Urucum (Bixa orellana)

Cágado-de-barbelas (Phrynops hilarii), Jardim Botânico_ Porto Alegre_27.08.08Cágado-de-barbelas (Phrynops hilarii)

Babosa (Aloe vera), Jardim Botânico_Porto Alegre (RS)_04.05.09Babosa (Aloe vera)

Ninféia-branca (Nymphaea alba), Jardim Botânico_Porto Alegre (RS)_04.05.09Ninféia-branca (Nymphaea alba)

Copo-de-leite (Zantedeschia aethiopica), Jardim Botânico_Porto Alegre (RS)_27.08.08Copo-de-leite (Zantedeschia aethiopica)

Texto e fotos: Thais Brandão

Sábado no parque

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Sábado 15 de agosto de 2009. Um oásis de calor em meio ao inverno rigoroso. De um dia para o outro, deixo  a grossa camisa de lã da fronteira – verdadeiro cobertor com colarinho e rústicos botões – que vinha usando nas duas última semanas e me ponho a procurar uma camiseta de mangas curtas que não cheire a mofo – meu armário é um recuo dentro de uma parede de alvenaria que condensa umidade. Não fui ousado a ponto de procurar uma bermuda. Me arrependi.

Gosto de acompanhar Thais em seus trabalhos, ainda mais quando o trabalho é caminhar nesse dia solar pela Redenção, seguindo pela rua da República até o Gasômetro fazendo fotos. Para ela, o primeiro frila vendido para o centro do país. Para mim, um passeio chapado por uma cidade louca para arejar suas entranhas sob o sol.

Fazia tempo que não via tanta gente junta. Na verdade, durante as semanas, pelas ruas dessa cidade, ou parado vadiando no centro de Bento Gonçalves, havia também muita gente. Mas era gente de outra ordem. Era gente em trânsito, atravessando rotas, com o olhar pré-fixado em algum destino.

Aqui não. Aquele ruivo por trás da boina e do tambor não queria chegar em lugar algum. Bem como aquele casal que sentou pra descansar e pediu uma água para o vendedor de algodão doce. E até aquele odioso ciclista que quase nos atrapelou ao surgir repentina e velozmente no vão entre dois carros estacionados.

Todos tinham o brilho do olhar de quem realmente estava ali, não havia nenhuma idéia fixa e nem rota a traçar. Era sem dúvida uma experiência de religação com o instante e o infinito, uma celebração informal ao pó que todos somos. E tudo isso me encheu de esperança.

Thais já lotou o cartão de memória da máquina. Há ainda alguns minutos de sol. Me dá a mão. Deixa, eu carrego tua mochila.

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Texto: Ale Lucchese
Fotos: Thais Brandão

Olha, vê

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Fotógrafa que sou vivo zapeando a internet atrás de informações que possam acrescentar a essa minha profissão que fui aprendendo assim, aos trancos e barrancos. Tem muitas coisas que antes se aprendia na sala de aula e hoje dá pra pegar na internet mesmo.

Numa dessas andanças virtuais, acabei entrando num blog e a partir desse em outro, e daí em outro, até que encontrei o Olha, vê, um blog ótimo, superatualizado sobre fotografia, informações do mundo fotográfico, novas tesnologias, etc. É um daqueles blogs que sempre dá vontade de entrar, já faz parte da minha rotina webística: vejo meu email, meu blog, o olha, vê…

O responsável pela função é o fotógrafo Alexandre Belém, fotógrafo do Jornal do Commercio (Recife). Sabe, admiro esse cara!. Fico pensando que se ele não recebe nada pelo blog, deveria receber porque aquilo é um primor: Alexandre faz séries como “Entrevistando”- onde entrevista vários fotógrafos importantes, onde falam sobre suas carreirias, influências, equipamentos-, “Processo de criação”- quando um fotógrafo explica como está desenvolvendo determinado projeto, etc-, além da cobertura de alguns eventos que rolam no Brasil e na gringa. Ah, e tudo bem embalado num design bacana e bem organizado.

Chega de babação de ovo e corra lá e veja (ou olhe?) com os próprios olhos!

Texto: Thais Brandão