Os dentes, um drama

Venho com pesar informar que a natureza é implacável e, mesmo a milhares de quilometros de um dentista, nossos dentes podem insistir em doer. É por isso então que uma das coisas fundamentais a se fazer a antes de pegar a estrada em uma longa viagem é ir no tal dentista. Lamentalvelmente, é verdade.

Pois venci o ódio mortal que tenho por esses profissionais e tive que encarar o consultório de uma dentista nessa semana, pra poder ficar relax durante a grande trip d’Os Estrangeiros de 2010. Pois até que ela não era má, e além disso é uruguaia e pode conseguir um lugar pra ficar quando for para lá.

Pois bem, devia fazer uns quatro anos que eu não ia no dentista. Descobri que tenho vários dentes quebrados, cáries e mais uma infinidade de pequenas surpresas. E hoje terei de fazer uma radiografia que possivelmente me fará descobrir coisas ainda piores. Fora isso, tenho um desgaste excessivo nos dentes da frente por conta do maxilar estar mais pra avante do que deveria. Ainda vou descobrir se tenho cisos, se deverei extrai-los, de que forma, essas coisas… Ah, e talvez também tenha bruxismo.

E olha que falei aí em cima só de problemas funcionais, se formos mexer na estética, aí sim a lista seria longa. Isso que não fumo, escovo os dentes três vezes ao dia, passo fio dental  e uso fluor antes de dormir. Ou seja, cuidando ou não, os dentes apodrecem do mesmo jeito.

O maior problema disso, é que tratar tudo isso demora um ou dois meses. Portanto, se  você quer encarar um viagem longa, vá com bastante antecedência a um desses sanguinários e implacáveis carniceiros um competente profissinal da área. Te desejo boa sorte – sei que você irá precisar.

Texto: Ale Lucchese

Sitio hermano

Mais uma boa descoberta digital para a road trip d’Os Estrangeiros foi feita nesta terça-feira, durante o Chimia Geral, na Ipanema. Convidado por Fabio Godoh, lá estava Arildo Leal, que há dez anos promove viagens de curtição e integração entre o Rio Grande do Sul e os países do Prata.

Pois então, Arildo deixa pistas digitais de seu trajeto em seu milongadeloshermanos.blogspot.com. Vale (muito) a pena entrar lá e ficar ligado nas excursões, ver dicas de cinema e de bandas de rock da Argentina, além de indicações de onde baixar álbuns e filmes. E tem muito mais, o negócio é entrar lá e conferir!

*Hoje tem o debate sobre rádios comunitárias do Jornalismo B. Os debates do blog já estão virando tradição no meio jornalístico port-alegrense, então fique experto: corre pra lá ou acompanhe a cobertura pelo twitter! Para mais informações, clique aqui.

Texto: Ale Lucchese

A polêmica do surf no Dilúvio

Deu o que falar o dito surf no Dilúvio que rolou na quinta-feira (19 de novembro) em Porto Alegre. O mais legal da história foi a resposta do protagonista, o publicitário Juliano Didonet (que se imaginava que fosse, assim como o resto de sua trupe,  um playboy desmiolado que não tinha mais nada a inventar quando se viu entediado num dia de chuva) no jornal  Zero Hora desta segunda-feira:

“Li a ZH de hoje e vi que assim como algumas pessoas na internet vocês condenaram o surfe no Dilúvio. Porque é sujo e se corre risco de doença. Mas acham que nós não sabíamos disso? Nossa intenção era nos protegermos e chamarmos a atenção da sociedade para a podridão do lugar e para mostrar que esportes podem ser praticados lá, se for despoluído. Muita gente com a cabeça mais aberta se ligou nisso e adorou. Já outras, como vocês, em vez de criticar cem anos de sujeira e poluição descontrolada no arroio, criticar anos e anos de governos distintos que nunca deram bola pra isto, preferiram criticar os jovens que realizaram a façanha. É incrível a cabeça pequena e a visão de cavalo de carroça de sempre. Que isso seja uma crítica construtiva a quem não pensou direito sobre isso.”

Dei uma vasculhada na internet e além da reportagem publicada na sexta-feira sobre o surf, encontrei um post de uma daquelas blogueiras-colunistas-bobinhas da ZH,  alfinetando o feito dos surfers. Acredito que o bicho também pegou no Twitter, como é de praxe atualmente. Mais informações, vídeo e fotos aqui.

É hoje!

Hoje estarei ao vivo pela Ipanema FM estreando ao lado do maestro Fabio Godoh o programa Chimia Geral. Todas às terças, estaremos por duas horas hablando da cultura e – principalmente – da música gaúcha e latino-americana. Dá-lhe!

Pois então coloque seus ouvidos no radinho e converse com a gente no meio da função pelo @chimiageral no twitter a partir da meia-noite.

Texto e arte: Ale Lucchese

Para não se perder por aí

Nunca levei muita fé nesse lance de guias de viagem. Achava que era preciso sair por aí e descobrir as coisas por si mesmo. Ainda acho isso, mas fui obrigada a mudar de opinião em relação aos guias quando, depois de alguma insistência do Ale, adquirimos o “Guia Criativo para Viajante Independente na América do Sul”.

Por uma bagatela de R$ 60 temos agora em nossas mãos um belo conjunto de dicas sobre os mais diversos assuntos de 12 países da América do Sul (Argentina, Bolívia, Chile, Colômbia, Equador, Guiana, Guiana Francesa, Suriname, Paraguai, Peru, Uruguai e Venezuela), e o que é melhor, em português.

As informações foram organizadas por país, onde há dados sobre a geografia, economia, história, clima, entrada (avião, carro, ônibus, etc), fuso horário, eletricidade (se é 110V ou 220V), câmbio, segurança (quais cuidados importante devem ser tomados), locomoção, alimentação, entretenimento, entre outros assuntos. Após, há dicas sobre as principais cidades com mapa, lista de hostels, albergues e hotéis, quais são as atrações, etc.  Uma desvantagem: suas quase 700 páginas pesam cerca de 500g, o que já faz uma diferença na mochila ao final de um cansativo dia.

Há outros guias por aí como, por exemplo, o famoso Lonely Planet. Dei uma folheada e me pareceu ser bastante completo apesar de ser em inglês o que pode ser um empecilho para algumas pessoas.

Mas acho que a sacada aqui é folhear e escolher o que melhor se encaixa nas tuas expectativas e necessidades, sempre com uma certeza: numa viagem, informações sempre vêm pro bem porque nos impedem de entrar em furadas ou deixar de ir a lugares imperdíveis que só quem é nativo ou conhece bem o lugar sabe.

Texto: Thais Brandão

Na Arca Verde

Taí um pouquinho do resultudo da minha primeira viagem com a Yashica Lynx, câmerazinha da década de setenta que comprei por uma bagatela e tira umas fotos com umas cores meio matadas, que me deixam cada vez mais apaixonado pelo exercício de fotografar com máquinas  de baixa tecnologia.

Foram tiradas na Arca Verde, comunidade que pratica permacultura  em São Francisco de Paula (RS), a aproximadamente 130km de Porto Alegre. Estive lá no feriadão no início desse mês para um curso de comunicação. Foi uma vivência sensacional, que um dia ainda tentarei um dia descrever em palavras, mas será difícil tecer palavras dignas da intensidade de como esses dias mexeram comigo. Espero que as fotos carreguem um pouco dessa magia para os leitores:

Texto e fotos: Ale Lucchese

Da série “livros pra fugir de casa”: Geração Beat

Se você curte a geração beat, ou tem um mínimo interesse pela turba de poetas e escritores viajantes e marginais, deve ter percebido que faltava um livro no mercado que sistematizasse a jogada toda, contextualizando e indicando outras leituras. Faltava. Agora, felizmente é fácil encontrar nas livrarias o título Geração Beat, de Claudio Willer, pequena pedrada-pocket da coleção encyclopaedia da editora L&PM.

Willer é um grande estudioso do assunto, e já verteu para o português vários  poemas de Allen Ginsberg, sempre com riqueza de notas explicativas e textos adicionais. Em “Geração Beat”, ele revela um texto impecavelmente conciso e organizado, e muito agradável de ler – as linhas simplesmente se desmancham frente aos nossos olhos e lá estamos nós ao lado de Allen Ginsberg, Jack Kerouac e William Burroughs.

Longe de ser um tratado sobre o assunto, este é um livro introdutório para quem começa  a se aventurar nesta imensa praia de girassóis, assim como presta uma louvável função de discutir e organizar um pouco dessa  loucura toda para aqueles que já a apreciam. Mais dois outros méritos do título são: a preocupação de Willer em trazer nomes que se ligam de alguma forma ao movimento aqui no Brasil e na América Latina – há inclusive um capítulo que trata apenas de como se difundiu a beat no Brasil, e a discussão de como estes tortos caminhos percorridos por esta geração iriam desmbocar na contracultura.

Texto: Alexandre Lucchese