É hoje!

Hoje estarei ao vivo pela Ipanema FM estreando ao lado do maestro Fabio Godoh o programa Chimia Geral. Todas às terças, estaremos por duas horas hablando da cultura e – principalmente – da música gaúcha e latino-americana. Dá-lhe!

Pois então coloque seus ouvidos no radinho e converse com a gente no meio da função pelo @chimiageral no twitter a partir da meia-noite.

Texto e arte: Ale Lucchese
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MorroStock 2009

morrostock01Estas fotos foram feitas para uma um cobertura abortada do MorroStock, festival de rock que acontece anualmente em Sapiranga (RS). Fui para lá no dia 09 de de outubro para ficar três dias. Acabei voltando na tarde seguinte: infelizmente o MorroStock não tinha as proporções que eu imaginava, e assim não conseguiria publicar algo sobre ele no meu veículo-alvo. Reconheci meu erro, desmontei a barraca e caí fora.  Ao chegar em casa descobri que as fotos ficaram melhores do que eu esperava, foram feitas com uma sony doméstica, sem nada de especial, mas registraram com dignidade o momento.

morrostock07Um punk-headbanger se empolga solitário no primeiro show da noite

morrostock05As coisas se animam mais com Os Replicantes no palco

morrostock04jpgMomento aguardado pelos metaleiros: Hibria não decepciona

morrostock03O grande momento: Mukeka di Rato

morrostock06Frio bagaráio

morrostock02Café da manhã

Texto e fotos: Ale Lucchese

Não tá morto quem peleia

Na edição #14 da revista O Dilúvio, os Estrangeiros mais uma vez deram as caras. Abaixo, a matéria.

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Em meio à euforia da “volta do vinil”, um dos maiores colecionadores de discos do Brasil mora em Porto Alegre, vive da marcenaria e de outros bicos, mas não está ligando muito para tudo isso.

Vilmar Cunha me esperava às nove da manhã, com treze mil discos, dois copos brancos de gelo e uma lata de cerveja no congelador. Não se trata de um colecionador de discos à la Tinhorão ou Ed Motta, muito menos de um bebum: a lata só descansava solitária na geladeira por puro senso de bom anfitrião, e os discos só estavam lá porque… porque, sei lá, porque é bom ouvir discos. Há duas semanas liguei:

– Seu Alexandre, não pode vir agora, me dá uns dez dias pra arrumar as coisas.

Tudo deveria estar impecável. Tudo estava impecável. Também pudera:

– De gente estranha, o senhor é o único que entrou aqui pra ver meus discos…

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Privilégio de quem trabalha n’O DILÚVIO. A gente ganha pouco, mas vive muito. Mas chega de auto-publicidade, o que interessa é que Vilmar tem uma coleção de bolachões que supera as dez mil unidades do lendário Kid Vinil, e está se aproximando dos 20 mil itens de Ed Motta. Não é nenhum estudioso de música popular, não trabalha no meio musical, nem está atrás de raridades para guardar ou exibir aos amigos, muito menos acessa a internet para acompanhar os lançamentos da indústria gringa. Ele empresta os discos a apenas um conhecido, um companheiro de viagens e outras estripulias que Vilmar apronta aos 58 anos. Volta e meia o cara pega emprestado um disco do Roberto Carlos, mas sofre a vigilância constante do colecionador, que tem uma relação quase paternal com as treze mil crias. “Eu fiz um cartão escrito ‘compro e vendo discos’, mas na verdade eu só compro, sou apegado a eles”, explica ao mostrar seu cartão pessoal impresso em duas faces: de um lado Vilmar marceneiro, do outro, Vilmar colecionador de discos.

O marceneiro começou a colecionar vinis há aproximadamente uns quinze anos, quando começou a fazer fretes com uma kombi que tem até hoje. Ganhava discos dos clientes que estavam migrando para o cedê e ia guardando tudo. Começou também a comprar. “Mas o que tu curte mesmo, Vilmar?” Música tradicional mexicana, Agnaldo Timóteo, Elvis Presley, Teixeirinha, Roberto Carlos, Altemar Dutra, Trini Lopez, duplas sertanejas antigas, todos aqueles grandes cantores dos anos 60 e 70. Chega a ser deliciosamente curioso o modo como ele simplesmente ignora qualquer rótulo ou gênero musical, apenas ouve artistas que gosta e vai conhecendo outros porque tem o coração aberto a toda musicalidade que lhe cai nas suas mãos.

Galena com um prego na ponta

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Envolto por paredes cheias de discos novos vindos do hemisfério norte, Getúlio Costa tem uma importante loja de vinis na capital. Sua “Boca do Disco” é uma vitrine do que acontece pelo mundo na tão apregoada “volta do vinil” que Vilmar já disse ter ouvido falar: discos em sua maioria novos, com preço médio em torno de R$ 80, a maioria deles pesando 180 gramas, o que garante durabilidade e aviva o som dos graves, coisa bem diferente dos vinis que estávamos acostumados a encontrar no Brasil quando essa era a mídia padrão da indústria musical. Lojas virtuais como a Amazon têm dedicado sessões especiais só para os bolachões, tendência que a Livraria Cultura seguiu no Brasil. Além disso a maioria das bandas gringas têm lançado seus álbuns nesse formato, assim como Lenine, Ed Motta e Los Hermanos fizeram por essas terras.

Natural de Butiá, município localizado a 78 km de Porto Alegre, Vilmar veio para a capital aos dezessete anos. Sonhava com a vida agitada da metrópole. Trabalhou em várias lugares e em várias funções, na Borregard de Guaíba, em hotéis do centro, em uma empresa que instalava painéis luminosos, entre outras. Resolveu então aplicar o que tinha aprendido em marcenaria com seu primeiro sogro, e passou a trabalhar como autônomo, mas sentiu a fome chegar bem próxima até conseguir um círculo de clientes fiéis. Autodidata por natureza, foi aprendendo de tudo um pouco, hoje se orgulha ao dizer que faz “tudo numa casa”, é aquele cara que tu pode chamar pra arrumar desde o cano do teu chuveiro até a fiação elétrica da tua casa. “É tudo feitio meu”, vai dizendo Vilmar ao apresentar seu trabalho por todos cômodos: o fogão a lenha, as paredes, os azulejos colocados no capricho, a serpentina que leva água quente para o banheiro, as máquinas com que trabalha a madeira, as grandes estantes transbordantes de discos…

Mas Getúlio emenda: “não adianta o cara estar com uma galena em casa com um prego na ponta e querer qualidade”. Sim, nada é tão simples no mundo do vinil. Esse retorno que traria, em tese, mais qualidade sonora aos nossos ouvidos, depende da boa prensagem do vinil e também de aparelhos que possam reproduzir com fidelidade a música gravada nos sulcos. Como resume o professor de física da UFRGS, Ricardo Francke: “se você quer um bom aparelho de som vai ter que pagar, e, para um dado preço, o cedê é de melhor qualidade que o elepê”.

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Tendo a mesa de toca-discos como ambiente de trabalho, DJ Anderson, da banda Ultramen, sabe bem disso. De suas pick-ups, consegue retirar tudo o que o vinil tem para dar: “no áudio, a equalização dele é mais definida, principalmente os graves, ele preserva toda qualidade de som que eu busco na hora da gravação”.

Para diferenciar, em termos físicos, os vinis dos cedês, contamos com o depoimento esclarecedor do professor Francke: “O sinal de áudio que desejamos arquivar num cedê é amostrado 44100 vezes por segundo. Cada um desses valores é digitalizado com 8 bits. Isto quer dizer que um voltagem D é escrito aproximadamente por D = b0x2+b1x2+b2x4+b3x8+ b4x16+b5x32+ b6x64+ b7x128. Observemos que o menor valor é 0 com todos os b0=0, b1=0 b2=0, etc. E o maior valor que podemos escrever é 255 com b0=1, b1=1, b2=1,….e b7=1. O que acontece, então, se o valor que queremos representar é 66,23. Neste caso os 66 podem ser escritos como 2 + 64 isto é b1=1 e b6=1 e todos os outros b igual a zero. Mas o que acontece com o 0,23? Ele é perdido. No caso do elepê, a agulha vibra com a freqüência do sinal de áudio. Essa vibração é captada eletricamente e amplificada.” Entendeu? Eu também não. Mas sente com Vilmar e deixe ele colocar qualquer um dos seus discos em qualquer um de seus onze toca-discos e você vai sacar tudo no ato.

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Fotos: Thais Brandão e Ale Lucchese

Texto: Ale Lucchese e Glauber Winck