A polêmica do surf no Dilúvio

Deu o que falar o dito surf no Dilúvio que rolou na quinta-feira (19 de novembro) em Porto Alegre. O mais legal da história foi a resposta do protagonista, o publicitário Juliano Didonet (que se imaginava que fosse, assim como o resto de sua trupe,  um playboy desmiolado que não tinha mais nada a inventar quando se viu entediado num dia de chuva) no jornal  Zero Hora desta segunda-feira:

“Li a ZH de hoje e vi que assim como algumas pessoas na internet vocês condenaram o surfe no Dilúvio. Porque é sujo e se corre risco de doença. Mas acham que nós não sabíamos disso? Nossa intenção era nos protegermos e chamarmos a atenção da sociedade para a podridão do lugar e para mostrar que esportes podem ser praticados lá, se for despoluído. Muita gente com a cabeça mais aberta se ligou nisso e adorou. Já outras, como vocês, em vez de criticar cem anos de sujeira e poluição descontrolada no arroio, criticar anos e anos de governos distintos que nunca deram bola pra isto, preferiram criticar os jovens que realizaram a façanha. É incrível a cabeça pequena e a visão de cavalo de carroça de sempre. Que isso seja uma crítica construtiva a quem não pensou direito sobre isso.”

Dei uma vasculhada na internet e além da reportagem publicada na sexta-feira sobre o surf, encontrei um post de uma daquelas blogueiras-colunistas-bobinhas da ZH,  alfinetando o feito dos surfers. Acredito que o bicho também pegou no Twitter, como é de praxe atualmente. Mais informações, vídeo e fotos aqui.

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O ócio nosso de cada dia

Hoje amanheci sem planos. Fiz meu zazen até as 8h30m  e saí para correr na Redenção.  Voltei e acabei passando o resto da manhã lendo jornais, respondendo e escrevendo emails e twittando. Aí a Thais fez uma boa surpresa e veio almoçar aqui, assistimos demoradamente à tevê, e depois fomos ao campus do Vale pegar uns livros que nem planeja pegar e encontrar amigos que coincidentemente estavam lá. Voltei agora há pouco.

Em resumo: a semana começou com pouco – ou quase nenhum – trabalho e muita curtição. Bem ao contrário da tendência comportamental publicada em uma matéria da ZH  de hoje, que a Thais leu para mim enquanto eu preparava nosso almoço. Segundo o jornal, o excesso de trabalho é maior causador de stress em Porto Alegre do que a violência. Mais de 20% da população afirma viver na iminência de um ataque de nervos, e metade desta só consegue relaxar tomando remédios.

pausa para observação: ironicamente, o jornal em questão pertence a um grupo de comunicação que faz alguns de seus funcionários trabalharem mais de dez horas por dia e já sofreu um processo em SC por trabalho escravo.

Não ficaremos ricos, é verdade, mas é bem provável que ninguém que trabalha honestamente ficará algum dia – seja trabalhando pouco ou muito. A conduta de excesso de trabalho não é apenas equivocada: é verdadeiramente criminosa, pois faz com que outras pessoas fiquem sem trabalho algum.

Da próxima vez que alguém se atrasar para um compromisso contigo e se justificar dizendo que precisou ficar até mais tarde no trabalho, seja firme, olho nos olhos  e diga a verdade: “por favor, não seja mais imbecil assim”. Libertem-se dos patrões – principalmente dos patrões que cada um carrega dentro de si. Vadiem bastante e sejam felizes.

Texto: Ale Lucchese