Na Arca Verde

Taí um pouquinho do resultudo da minha primeira viagem com a Yashica Lynx, câmerazinha da década de setenta que comprei por uma bagatela e tira umas fotos com umas cores meio matadas, que me deixam cada vez mais apaixonado pelo exercício de fotografar com máquinas  de baixa tecnologia.

Foram tiradas na Arca Verde, comunidade que pratica permacultura  em São Francisco de Paula (RS), a aproximadamente 130km de Porto Alegre. Estive lá no feriadão no início desse mês para um curso de comunicação. Foi uma vivência sensacional, que um dia ainda tentarei um dia descrever em palavras, mas será difícil tecer palavras dignas da intensidade de como esses dias mexeram comigo. Espero que as fotos carreguem um pouco dessa magia para os leitores:

Texto e fotos: Ale Lucchese
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MorroStock 2009

morrostock01Estas fotos foram feitas para uma um cobertura abortada do MorroStock, festival de rock que acontece anualmente em Sapiranga (RS). Fui para lá no dia 09 de de outubro para ficar três dias. Acabei voltando na tarde seguinte: infelizmente o MorroStock não tinha as proporções que eu imaginava, e assim não conseguiria publicar algo sobre ele no meu veículo-alvo. Reconheci meu erro, desmontei a barraca e caí fora.  Ao chegar em casa descobri que as fotos ficaram melhores do que eu esperava, foram feitas com uma sony doméstica, sem nada de especial, mas registraram com dignidade o momento.

morrostock07Um punk-headbanger se empolga solitário no primeiro show da noite

morrostock05As coisas se animam mais com Os Replicantes no palco

morrostock04jpgMomento aguardado pelos metaleiros: Hibria não decepciona

morrostock03O grande momento: Mukeka di Rato

morrostock06Frio bagaráio

morrostock02Café da manhã

Texto e fotos: Ale Lucchese

Sou da legião estrangeira

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Sábado a Thais esteve fotografando um show do Bebeto Alves – e é claro que aproveitei e também fui lá conferir. Solito no palco da Fundação Ecarta, Bebeto começou declamando a letra de Periferia, canção-nação, mosaico poético-identitário. Era hora então de pegar o violão e planar sublime entre a virilidade guasca, a malandragem carioca, e a dúbia agrassividade feminina rocanrolera. Bebeto levou nossas almas longe naquele início  de noite.

Mas o que me deixou mais chapado foi que o senhor-guri de Uruguaiana afirmou que está preparando um filme junto à produtora Estação Elétrica sobre a música e os povos que formaram o Rio Grande do Sul. Já foram feitas muitas gravações pelo mundo, assim como pelo Estado, e a previsão é lançar o petardo ainda em 2009 ou início de 2010.

Nessas andanças e pesquisas, Bebeto diz ter descoberto que somos também um pouco turcos. Levantando um milenar instrumento de cordas que trouxe da Turquia e bradando o canto oriental, foi a hora de nos convencer. Já era hora hora de decobrirmos nós mesmos.

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Texto: Ale Lucchese
Fotos: Thais Brandão (copyright Sinpro-RS, favor entrar em contato antes de reproduzir)

Gramado, 23 de maio de 2009

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20h28m

Thais no banho. Tomo pisco e escrevo. O pisco foi presente do René para nós, e eu estou debaixo de uma goiabeira do mato, na qual uma lâmpada de 220v jorra 100 watts de luz. Noite fria, início de inverno. Nenhum mosquito em volto da lâmpada. Tomamos emprestado o banco de uma das casas-trailer, bem como a mesa onde cozinhamos. Um fogareiro, liquinho, duas panelas. No meio, eu e o banco, à esquerda a mesa, à direita o tronco da goiabeira e a barraca.

O pisco anima. Enquanto a polenta fervia e o molho esperava, desatamos a alma para voar além. A folha da goiabeira é rígida. Há várias secando no chão. Também há goiabas pisadas.

Thais chega. Vou para o banho.

Gramado, RS, 20h34m.

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Texto: Ale Lucchese
Fotos: Thais Brandão

Re-habitar

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Não há como negar que somos estrangeiros ocupando terra de outrém. Não que a terra tenha dono, o fato é que estamos há quinhentos anos tentando plantar um modo de vida que não diz respeito a esse lugar. Pode ser daí que tenhamos perdido nossa conexão com a terra. O espaço aqui não é sagrado, o espaço é um obstáculo  para plantar aqui a Europa que foi negada a nossos ancestrais.

Impressiona como esse processo nos cega. E um bom exercío para enxergar melhor é plantar os pés em lugares que são apenas de passagem, vivenciar demoradamente o espaço que é não convencionado para ficar, e sim para atravessar. Olhar, ouvir, respirar.

Todas as fotos desse post foram feitas em uma caminhada por três quilômetros do Arroio Dilúvio: uma fonte de vida que pulsa no meio da metrópole, e que tentam fazer você crer que é barulhento, feio e perigoso. Não, não é. Basta parar e ver.

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Texto: Ale Lucchese
Fotos: Thais Brandão – Câmera Canon Rebel XTi – ISO 100.