Da série “livros pra fugir de casa”: Geração Beat

Se você curte a geração beat, ou tem um mínimo interesse pela turba de poetas e escritores viajantes e marginais, deve ter percebido que faltava um livro no mercado que sistematizasse a jogada toda, contextualizando e indicando outras leituras. Faltava. Agora, felizmente é fácil encontrar nas livrarias o título Geração Beat, de Claudio Willer, pequena pedrada-pocket da coleção encyclopaedia da editora L&PM.

Willer é um grande estudioso do assunto, e já verteu para o português vários  poemas de Allen Ginsberg, sempre com riqueza de notas explicativas e textos adicionais. Em “Geração Beat”, ele revela um texto impecavelmente conciso e organizado, e muito agradável de ler – as linhas simplesmente se desmancham frente aos nossos olhos e lá estamos nós ao lado de Allen Ginsberg, Jack Kerouac e William Burroughs.

Longe de ser um tratado sobre o assunto, este é um livro introdutório para quem começa  a se aventurar nesta imensa praia de girassóis, assim como presta uma louvável função de discutir e organizar um pouco dessa  loucura toda para aqueles que já a apreciam. Mais dois outros méritos do título são: a preocupação de Willer em trazer nomes que se ligam de alguma forma ao movimento aqui no Brasil e na América Latina – há inclusive um capítulo que trata apenas de como se difundiu a beat no Brasil, e a discussão de como estes tortos caminhos percorridos por esta geração iriam desmbocar na contracultura.

Texto: Alexandre Lucchese

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Bem nas minhas costas

ATELIER ABERTO X 029

Mas eu tinha minhas próprias idéias e elas não tinham nada a ver com a parte “lunática” de tudo aquilo. Eu queria comprar um equipamento completo com tudo que é preciso para dormir, abrigar-se, comer, cozinhar, na verdade uma cozinha e um quarto completos bem nas minhas costas…

ATELIER ABERTO X 294

…e partir para algum lugar e encontrar a solidão perfeita e olhar para o perfeito vazio da minha mente e ser completamente neutro em relação a qualquer e toda idéia.

ATELIER ABERTO X 432

Pretendo rezar, também, como minha única atividade, rezar por todas as criaturas vivas; percebi que essa era a única atividade decente que sobrara no mundo.

ATELIER ABERTO X 529

Estar no leito de um rio em algum lugar, ou no deserto, ou nas montanhas, ou em alguma cabana do México ou em um barraco em Adirondack, e descansar e ser gentil, e não fazer nada além disso, praticar o que os chineses chamam de “não fazer nada”.

ATELIER ABERTO X 541

Texto: trecho de “Os Vabagundo Iluminados”, de Jack Kerouak
Fotos: Jailton Moreira