É hoje!

Hoje estarei ao vivo pela Ipanema FM estreando ao lado do maestro Fabio Godoh o programa Chimia Geral. Todas às terças, estaremos por duas horas hablando da cultura e – principalmente – da música gaúcha e latino-americana. Dá-lhe!

Pois então coloque seus ouvidos no radinho e converse com a gente no meio da função pelo @chimiageral no twitter a partir da meia-noite.

Texto e arte: Ale Lucchese

Para não se perder por aí

Nunca levei muita fé nesse lance de guias de viagem. Achava que era preciso sair por aí e descobrir as coisas por si mesmo. Ainda acho isso, mas fui obrigada a mudar de opinião em relação aos guias quando, depois de alguma insistência do Ale, adquirimos o “Guia Criativo para Viajante Independente na América do Sul”.

Por uma bagatela de R$ 60 temos agora em nossas mãos um belo conjunto de dicas sobre os mais diversos assuntos de 12 países da América do Sul (Argentina, Bolívia, Chile, Colômbia, Equador, Guiana, Guiana Francesa, Suriname, Paraguai, Peru, Uruguai e Venezuela), e o que é melhor, em português.

As informações foram organizadas por país, onde há dados sobre a geografia, economia, história, clima, entrada (avião, carro, ônibus, etc), fuso horário, eletricidade (se é 110V ou 220V), câmbio, segurança (quais cuidados importante devem ser tomados), locomoção, alimentação, entretenimento, entre outros assuntos. Após, há dicas sobre as principais cidades com mapa, lista de hostels, albergues e hotéis, quais são as atrações, etc.  Uma desvantagem: suas quase 700 páginas pesam cerca de 500g, o que já faz uma diferença na mochila ao final de um cansativo dia.

Há outros guias por aí como, por exemplo, o famoso Lonely Planet. Dei uma folheada e me pareceu ser bastante completo apesar de ser em inglês o que pode ser um empecilho para algumas pessoas.

Mas acho que a sacada aqui é folhear e escolher o que melhor se encaixa nas tuas expectativas e necessidades, sempre com uma certeza: numa viagem, informações sempre vêm pro bem porque nos impedem de entrar em furadas ou deixar de ir a lugares imperdíveis que só quem é nativo ou conhece bem o lugar sabe.

Texto: Thais Brandão

Na Arca Verde

Taí um pouquinho do resultudo da minha primeira viagem com a Yashica Lynx, câmerazinha da década de setenta que comprei por uma bagatela e tira umas fotos com umas cores meio matadas, que me deixam cada vez mais apaixonado pelo exercício de fotografar com máquinas  de baixa tecnologia.

Foram tiradas na Arca Verde, comunidade que pratica permacultura  em São Francisco de Paula (RS), a aproximadamente 130km de Porto Alegre. Estive lá no feriadão no início desse mês para um curso de comunicação. Foi uma vivência sensacional, que um dia ainda tentarei um dia descrever em palavras, mas será difícil tecer palavras dignas da intensidade de como esses dias mexeram comigo. Espero que as fotos carreguem um pouco dessa magia para os leitores:

Texto e fotos: Ale Lucchese

Da série “livros pra fugir de casa”: Geração Beat

Se você curte a geração beat, ou tem um mínimo interesse pela turba de poetas e escritores viajantes e marginais, deve ter percebido que faltava um livro no mercado que sistematizasse a jogada toda, contextualizando e indicando outras leituras. Faltava. Agora, felizmente é fácil encontrar nas livrarias o título Geração Beat, de Claudio Willer, pequena pedrada-pocket da coleção encyclopaedia da editora L&PM.

Willer é um grande estudioso do assunto, e já verteu para o português vários  poemas de Allen Ginsberg, sempre com riqueza de notas explicativas e textos adicionais. Em “Geração Beat”, ele revela um texto impecavelmente conciso e organizado, e muito agradável de ler – as linhas simplesmente se desmancham frente aos nossos olhos e lá estamos nós ao lado de Allen Ginsberg, Jack Kerouac e William Burroughs.

Longe de ser um tratado sobre o assunto, este é um livro introdutório para quem começa  a se aventurar nesta imensa praia de girassóis, assim como presta uma louvável função de discutir e organizar um pouco dessa  loucura toda para aqueles que já a apreciam. Mais dois outros méritos do título são: a preocupação de Willer em trazer nomes que se ligam de alguma forma ao movimento aqui no Brasil e na América Latina – há inclusive um capítulo que trata apenas de como se difundiu a beat no Brasil, e a discussão de como estes tortos caminhos percorridos por esta geração iriam desmbocar na contracultura.

Texto: Alexandre Lucchese

Enfim, pronto!

Ufa, já estava chegando no meu limite, isso que o meu TCC não era nem uma monografia – que exige muito mais do vivente -, e sim um artigo, pequeno, enxuto e prático.  Seja o que for, segue, abaixo, o resultado da última gota de suor: o resumo.

Dilúvio: visões sobre um arroio

O arroio Dilúvio é um curso d’água que abriga uma série de seres vivos em seus 17,6 km de extensão. Parte significativa desse curso é acompanhado pela avenida Ipiranga, grande via de trânsito de Porto Alegre. Este trabalho dedica-se a conhecer e discutir os modos como as pessoas narram o Dilúvio, visto que, apesar da intensa circulação em seu entorno, grande parte dos transeuntes parece ignorar a importância desse ambiente. Para tal, utilizei o método de pesquisa qualitativa, entrevistando, com o auxílio de fotografias do Dilúvio, trabalhadores e habitantes de suas proximidades; investiguei também como este arroio é retratado por jornais de grande circulação da cidade desde 1970. Os relatos obtidos foram interpretados à luz de conceitos e visões de natureza apresentados pelos campos da Filosofia e da História da Ciência.

Quem se pilhar, pode conferir a apresentação dia 02/12 (quarta-feira), às 14hs no Auditório da Botânica- Campus do Vale/UFRGS.

Até lá!

Foto e texto: Thais Brandão

Hora do Mergulho

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Não passasse o Niágara de uma catarata de areia, viajaríeis mil milhas para vê-la? Por que o pobre poeta do Tennessee, ao receber inesperadamente dois punhados de prata, hesitou em comprar um casaco, de que ele tristemente necessitava, e gastar seu dinheiro numa viagem a pé à praia de Rockaway? Porque quase todo rapaz robusto e sadio, de alma robustae sadia dentro dele, numa ocasião ou noutra fica louco para ir para o mar? Por quê, em vossa primeira viagem como passageiro, vós  mesmos sentistes uma vibração tão misteriosa, quando vos disseram pela primeira vez que vós e o navio já não podíeis divisar a terra? Por que os antigos persas consideravam sagrado o mar? Por que lhe atribuíram os gregos um deus especial, o próprio irmão  de Jove? Por certo tudo isso não deixa de ter sentido.  E ainda é mais profundo o sentido daquela história de Narciso, que, por não poder pegar a imagem atormentadora e suave, mergulhou nela e afogou-se. Mas essa imagem, nós mesmos a vemos em todos os rios e oceanos. É a imagem do inegarrável fantasma da vida; e esta é a chave de tudo.

Trecho de “Moby Dick”,  de Herman Melville, em homenagem aos copos de água destes finais de semana cada vez mais abstêmios.
Foto de http://www.flickr.com/photos/stevewall/

O homem do terno branco

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Na próxima segunda-feira, o novojornalista Tom Wolfe será aplaudido de pé no Salão de Atos da UFRGS, em Porto Alegre. Nas primeiras filas, estarão pesquisadores de jornalismo, alguns lamentando que o salão não está completamente lotado, mas certos de que os caros bilhetes que deixaram na entrada os diferencia da ignorância e imaturidade que grassa sobre o resto da população porto-alegrense.  Ah, o doce fetiche da compra de conhecimento…

Mas enfim, devo parar de criticar a boiada e cuidar do meu próprio nariz – até porque, no meio dos que aplaudem surdos, sempre existem aqueles que não foram lá para serem ludibriados. Ou seja: não se pode generalizar. É que sei lá, fico agudamente triste de ver alguém como Tom Wolfe vindo falar em um conferência  destas, que poderia trazer tanta gente mais interessante – aaaah, por que não convidam o Gary Snyder para palestrar aqui antes que ele morra?

Depois de tanto pesquisar sobre Novo Jornalismo para minha monografia, constatei humildemente uma coisa: Wolfe é uma espécie de palavra divina quando se fala em Novo Jornalismo. Mas por que? Não sei, talvez porque ninguém se deu conta de que a opinião dele não é mais legítima do que de qualquer outro pesquisador apenas porque ele esteve diretamente envolvido e foi o primeiro a tentar sistematizar a parada em texto. É como se todas as pesquisas sobre tropicalismo utilizassem apenas alguma definição do Caetano Veloso como válida para o movimento.

Tom Wolfe precisa ser superado. Até porque seu texto sobre new journalism é, no mínimo, de qualidade duvidosa – apesar de ser bem sedutor e gostoso de ler. Esse papo de que a literatura abandonou a realidade e de que assim cometeu um erro, putz, que balela… Um artista tem que estar preocupado em se expressar, se isso coincidir com o gosto do púiblico, tudo bem. Se não coincidir, tudo bem também. Não há certo ou errado. E depois ainda vem dizer que a ficção não terá mais função em nossa sociedade. Não sei não ein, acho que o homem sempre precisará sonhar. Em tempos de reality shows, o fenômeno de vendas é uma série sobre vampiros. E não vai deixar de ser assim. Queira o homem de terno branco ou não.

Texto: Ale Lucchese