Enfim, pronto!

Ufa, já estava chegando no meu limite, isso que o meu TCC não era nem uma monografia – que exige muito mais do vivente -, e sim um artigo, pequeno, enxuto e prático.  Seja o que for, segue, abaixo, o resultado da última gota de suor: o resumo.

Dilúvio: visões sobre um arroio

O arroio Dilúvio é um curso d’água que abriga uma série de seres vivos em seus 17,6 km de extensão. Parte significativa desse curso é acompanhado pela avenida Ipiranga, grande via de trânsito de Porto Alegre. Este trabalho dedica-se a conhecer e discutir os modos como as pessoas narram o Dilúvio, visto que, apesar da intensa circulação em seu entorno, grande parte dos transeuntes parece ignorar a importância desse ambiente. Para tal, utilizei o método de pesquisa qualitativa, entrevistando, com o auxílio de fotografias do Dilúvio, trabalhadores e habitantes de suas proximidades; investiguei também como este arroio é retratado por jornais de grande circulação da cidade desde 1970. Os relatos obtidos foram interpretados à luz de conceitos e visões de natureza apresentados pelos campos da Filosofia e da História da Ciência.

Quem se pilhar, pode conferir a apresentação dia 02/12 (quarta-feira), às 14hs no Auditório da Botânica- Campus do Vale/UFRGS.

Até lá!

Foto e texto: Thais Brandão

Fotógrafos-que-nos-fazem-viajar: Otto Stupakoff

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A verdade é que demorou para Otto Stupakoff aparecer aqui n’Os Estrangeiros. Talvez, se não fosse Stupakoff, este blog nem existiria. Foi ao ler na casa de um amigo o texto de abertura de um livro do fotógrafo editado pela Cosac Naify, que percebi o quanto eu era bunda-mole – não que eu seja muito menos agora – e que enorme mundo existe aí para ser desbravado.

E foi com esse livro, dois ou três dias depois, que presenteei Thais pelas festas de fim de ano. E, logo após a leitura em voz alta de suas primeiras páginas, estávamos irremediavelmente contaminados pelo desafio de pegar a estrada e descobrir a terra – ainda que não tivéssemos percebido isso naquele momento.

Stupakoff é bastante conhecido por seu trabalho relacionado à moda. E também por ter fotografado muitas celebridades. Dizia o fotógrafo que sabia lidar com gente difícil, por isso lembravam dele quando alguém precisava retratar alguma estrela. Mas Otto também era cascudo em longas jornadas morando com esquimós, viu a aurora borealis, foi preso no Camboja, foi casado com uma miss universo que faleceu tragicamente… Otto viveu intensamente.

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Mesmo sua morte discreta, solitário em um flat em São Paulo, em abril deste ano, causou muito barulho. Além de sites e publicações sobre fotografia pagarem longos tributos, aconteceram diversas exposições aqui no Brasil e ao redor do mundo, e mais um livro permeado de seus cliques ganhou as livrarias: “Seqüencias”, editado pelo Instituto Moreira Salles. Pois que continue assim viva essa alma, fazendo o que sabia fazer melhor: despertar outras almas.

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Texto: Alexandre Lucchese

Brinquedo novo

Alguns raros jornalistas saem da faculdade e logo conseguem um bom trabalho e começam a ganhar um bom salário. Não é o meu caso. Por isso, minha contenção de despesas fez que eu abandonasse o maravilhoso mundo dos filmes 120mm, migrando para os tradicionais filmes 35mm. Mas esse novo mundo também não deixa de ser maravilhoso, apesar de sair muito mais em conta.

Comprei uma câmerea Yashica Lynx 1000, de 1965 (paguei R$ 50) e acabo de revelar meu primeiro filme. Não tem fotômetro é o foco é feito por metragem, ou seja, será um belo desafio domar essa bichinha. Gostaria de ficar falando mais com vocês mas ainda tenho que fazer minha mala para ir para a Arca Verde. Claro, levarei a câmera. Volto na semana que vem com mais fotos e com histórias pra contar desses dias em São Francisco de Paula!

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Texto e fotos: Ale Lucchese

Abrindo o baú

Com o lançamento do filme “This is it” sobre os últimos momento de Michael Jackson, fiquei pensando se ele gostaria de ver seus ensaios, erros e acertos expostos em forma de longa metragem. Sinceramente, acho que não. Os artistas se preocupam muito com o que vai ser de suas obras na posteridade: se os familiares, gravadoras, editoras lançarão rascunhos, coisas engavetadas, etc. Já vi alguns escritores dizendo que, na dúvida, queimaram coisas que, sob hipótese alguma, pretendiam publicar. E enquadram-se aí, na maioria das vezes, materiais do início de suas carreiras, quando eram meros desconhecidos, estavam em busca de um estilo próprio (e êta coisa difícil…). Pra exorcizar logo esse demo, exponho aqui e agora minhas primeiras imagens feitas em uma câmera semiprofissional (velha e guerreira Nikon N80) e em filme. Como uma aprendiz do universo fotográfico, estava recém descobrindo o que era e que se fazia um contraluz, foco e desfoque, baixas velocidades, etc.  Saravá!

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Local: Parque Marinha do Brasil e Redenção (Ano 2006)
Fotos e texto: Thais Brandão

As estrangeiras

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É certo que quem curte lomografia já encontrou seu espaço aqui nesse blog. E é para esses, ou para quem quer se iniciar nessa prática que o post de hoje é dedicado. Comparamos aqui as duas câmeras lomográficas de 120mm mais populares para você conhecer melhor cada uma delas – e quem sabe decidir onde investir seu rico dinheirinho.

Como bom muquirana, começo considerando o preço. A Holga 120 CFN costuma variar entre R$ 170,00 e R$200,00. Enquanto isso, a Diana F+ beira em torno dos R$ 300,00. Se você anda muito mal das pernas, ainda há a opção de comprar a Holga 120 N (tudo igual a CFN, mas sem flash), que fica um pouco mais em conta. Mas, na buena, se você quer mesmo economizar, não se atire a fotografar em 120mm: os filmes são mais caros, o processo de revelação é mais caro, o processo de escanemento é mais caro… tudo é (bem) mais caro do que o tradicional 35mm. Há boas opções lomo em 35mm.

Mas se você está irremedivelmente seduzido pelo 120mm, devo dizer que o preço mais alto da Diana em relação a Holga pode compensar, dependendo do tipo de usuário que você é. Além de um livro bem bacana que acompanha a Diana, é preciso dizer que ela tem duas boas vantagens: o flash que é puro charme e uma maior variedade de opções de abertura de diafragama.

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O flash que acompanha a F+ é removível e vem com adaptador para ser usado em outras máquinas com sapata. Enquanto isso, a Holga CFN tem o flash embutido, não podendo ser usado em outras câmeras, deixando a tradicional russa mais volumosa que a Diana.

Além disso, a Holga conta com apenas duas aberturas de diafragma, enquanto a Diana apresenta quatro possibilidades. Essa vantagem da Diana permite obter maior sucesso em situações mais diversificadas de luz.

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Acima é possível ver, à direita, o símbolo de nuvem, que indica diafragma aberto para ocasiões de menos luminosidade, e à esquerda as quatro opções da Diana.

Então, se você pode investir mais e já saca um pouco de fotografia a ponto de não se atrapalhar com comandos de diafragma, valeria a pena investir na Diana. Agora, se você está começando, a Holga será certamente uma ótima opção.

Texto: Ale Lucchese
Fotos:  Thais Brandão

Adiós, Nikkor

Depois de alguns meses anunciada, consegui vender minha Lente Nikkor 28-105mm (com macro). Um lentaço na verdade. Formava uma bela dupla com a câmera Nikon N80. Já estou com saudades, apesar de ter usado bem pouco. O último ensaio, feito com o filme ProImage 100, mostra a qualidade da bichinha.

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Texto: Thais Brandão
Fotos: Ale Lucchese (exceto a foto a quarta foto de cima para baixo, Thais Brandão)

Os-Estrangeiros-entrevistam: Rebeca Rasel

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Artista plástica de 28 anos, Rebeca Rasel tem sido um dos nomes responsáveis por casar o uso de câmera de baixa fidelidade com produções e intervenções artísticas no Brasil. Tanto é assim que ela foi uma das selecionadas para representar o país na Lomo LC-A+ Race, iniciativa do site lomography.com que está fazendo a fetiche-câmera Lomo rodar o mundo.

Topei com Rebeca em uma pesquisa sobre lomografia para uma matéria que estou preparando sobre o assunto. Mestre em Artes Visuais pela UERJ, a artista carrega uma estreita ligação pessoal com a fenômeno lo-tech e o interpreta de maneira original e inteligente, como você vai ver nos trechos a seguir de nossa entrevista:

Sei que você é artista visual, mas não sei em que medida as câmeras de baixa fidelidade se inserem em seu trabalho. Gostaria que você explicasse melhor essa relação.

Sempre gostei do analógico, do low-tech, do antigo. Aos 10 anos, por exemplo, ganhei uma [máquina de escrever] Olivetti. E mesmo em épocas onde o computador já era parte da casa, dediquei meu tempo às cartas em máquina de escrever. Outro exemplo é minha coleção de vinis: em meio às pilhas de cds e mp3, é com prazer que ouço as texturas (e arranhões) de cada faixa do disco. E, em meio aos dispositivos digitais, é com minha primeira câmera, uma Minolta, herdada de meu avô, que guardo meus melhores registros. Cultivo esses hábitos e memórias até hoje. Nostalgia apenas? Acho que não…

Também sou adepta das feiras de antiguidades (aqui no Rio de Janeiro frequento a Feirinha da Praça XV aos sábados, no centro da cidade; em São Paulo, conheci a Feirinha do Bixiga que acontece aos domingos no bairro do Bixiga), pois me surpreende a diversidade de objetos que a cada dia são descartados e, de certa maneira, resignificados pelas pessoas, principalmente pelos artistas visuais.

Dessa forma, a fotografia analógica e o ‘low-tech’ são consequencia de minha memória e cotidiano. Mas, certamente, não descarto a praticidade e a óbvia qualidade de imagem obtida com os dispositivos digitais. São procedimentos distintos, claro, e ambos produzem resultados que despertam o meu interesse.

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Como foi a seleção para a LC-A+ Race?

Meu envolvimento com o LC-A+ Race, promovido pelo site Lomography,  se deu em meio a uma conversa com um amigo iraniano, Sohrab Mostafavi, que, além de trabalhar com fotografia e vídeo em seu país, tem um grande interesse pela Lomografia. Nunca iria imaginar que no Irã houvessem tantos intessados por esta prática, então, comecei a pesquisar no site Lomography os álbuns de artistas daquele país. Em meio às buscas, vi algumas chamadas sobre a LC-A Race. Escrevi para Ron Cruz, um dos organizadores/produtores do evento e, algum tempo depois, acho que um mês ou dois, recebi um email dizendo que fui selecionada para integrar o time de lomógrafos da América do Sul nesta LC-A Race. Fiquei muito surpresa! E recebi no mês de julho uma câmera Lomo LC-A para participar desta ‘corrida’. A câmera é incrível! Dentre as câmeras lomo que já utilizei, a LC-A foi a que apresentou os melhores efeitos de cores, mesmo em um filme comum de 35mm. Enfim, foi uma experiência e tanto, mas em apenas poucos dias, pois a câmera precisou seguir seu trajeto na corrida – em agosto a câmera esteve com o fotógrafo Julio França (SP) e, desde então, segue para outros estados brasileiros e também Argentina e Chile.

O que mais te encanta nas câmeras de plástico? O que você considera a grande vantagem em relação ao digital? O que considera desvantagem?

Para um fotógrafo profissional talvez não seja interessante trabalhar com um dispositivo que tem como marca a imprevisibilidade de seus registros (por exemplo, é comum que uma câmera lomo tanto “estoure o contraste” como produza áreas e bordas excessivamente escuras no frame), mas creio que esta aparente precariedade na construção da imagem seja propícia a todo um segmento de jovens artistas visuais e fotógrafos (chamados “experimentais”) que encontram nestes “acasos” e imprevistos um projeto artístico singular e em potencial.

No entanto, por essa aparente facilidade em se trabalhar com lomos, é comum encontrarmos comentários como “Ah! Isso eu também faço” (porque é até possível, com a ajuda do tal “acaso”, que se obtenha um ótimo resultado) ou quaisquer outras falas depreciativas destinadas aos fotógrafos experimentais. Concordo que há uma linha tênue entre o belo acaso e a boa fotografia, mas, se pensarmos que um artista não é feito apenas de uma única boa idéia (ou seja, de uma única boa foto resultante de uma câmera low-tech, por exemplo), será mais fácil perceber que para ser um bom artista é preciso que haja uma poética, um campo de pensamento, enfim, que a cada dia haja um desdobramento de tudo aquilo que o artista planejou e/ou intuiu. Realmente não basta apenas uma boa idéia. Trabalhar com arte é bem mais complexo que isso. É todo um processo – e pra toda a vida, inclusive.

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Encontre mais material de Rebeca Rasel em:

http://rebecarasel.blogspot.com (blog)

http://marciarebeca.blogspot.com (parceria com Marcia Abreu)

http://www.lomography.com/homes/rebecarasel (fotos aleatórias no lomography.com)

http://www.chiarotrends.com.br/ (blog sobre moda, arte, música e design no qual é colunista.

Fotos:  Rebeca Rasel  –  câmeras:  Fisheye (foto 01), ActionSampler (foto o2), LC-A+ (foto 03 e 05), e Zenit (foto 04).
Texto: Ale Lucchese