Desmistificando a leitura (ou por que eu prefiro me chapar ao invés de ler)

Esse papo da Câmera do Livro de que ler-é-uma-maravilha-e-sei-lá-mais-o-quê não serve pra nada, a não ser para agradar livreiros e editoras. E também para criar uma ilusão de que possuir livros faz com que os doutores sejam diferentes da gentalha a sua volta. Doce ilusão: ler não tem nada demais. E descobri ontem que o Galeano concorda comigo:

Ensina-se a competir, não a dividir: no mundo que se descreve e se postula, as pessoas pertencem aos automóveis e a cultura é consumida como uma droga, mas não é criada. Esta é também uma cultura, uma cultura da resignação, que gera necessidades artificiais para ocultar as reais. Ninguém poderia, creio eu, negar a amplidão de sua influência. Cabe perguntar, em todo caso: tem culpa os meios que a transmitem? O televisor é ruim e os livros, bons? De quem é a culpa do crime: da faca? Não abundam os livros que nos ensinam a desprezar-nos e aceitar a história, em vez de fazê-la?

Excerto de “Dez erros ou mentiras frequentes sobre literatura e cultura na América Latina”, do livro “A descoberta da América (que ainda não houve)”, de Eduardo Galeano.
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