O homem do terno branco

lobo-em-pele-de-cordeiro

Na próxima segunda-feira, o novojornalista Tom Wolfe será aplaudido de pé no Salão de Atos da UFRGS, em Porto Alegre. Nas primeiras filas, estarão pesquisadores de jornalismo, alguns lamentando que o salão não está completamente lotado, mas certos de que os caros bilhetes que deixaram na entrada os diferencia da ignorância e imaturidade que grassa sobre o resto da população porto-alegrense.  Ah, o doce fetiche da compra de conhecimento…

Mas enfim, devo parar de criticar a boiada e cuidar do meu próprio nariz – até porque, no meio dos que aplaudem surdos, sempre existem aqueles que não foram lá para serem ludibriados. Ou seja: não se pode generalizar. É que sei lá, fico agudamente triste de ver alguém como Tom Wolfe vindo falar em um conferência  destas, que poderia trazer tanta gente mais interessante – aaaah, por que não convidam o Gary Snyder para palestrar aqui antes que ele morra?

Depois de tanto pesquisar sobre Novo Jornalismo para minha monografia, constatei humildemente uma coisa: Wolfe é uma espécie de palavra divina quando se fala em Novo Jornalismo. Mas por que? Não sei, talvez porque ninguém se deu conta de que a opinião dele não é mais legítima do que de qualquer outro pesquisador apenas porque ele esteve diretamente envolvido e foi o primeiro a tentar sistematizar a parada em texto. É como se todas as pesquisas sobre tropicalismo utilizassem apenas alguma definição do Caetano Veloso como válida para o movimento.

Tom Wolfe precisa ser superado. Até porque seu texto sobre new journalism é, no mínimo, de qualidade duvidosa – apesar de ser bem sedutor e gostoso de ler. Esse papo de que a literatura abandonou a realidade e de que assim cometeu um erro, putz, que balela… Um artista tem que estar preocupado em se expressar, se isso coincidir com o gosto do púiblico, tudo bem. Se não coincidir, tudo bem também. Não há certo ou errado. E depois ainda vem dizer que a ficção não terá mais função em nossa sociedade. Não sei não ein, acho que o homem sempre precisará sonhar. Em tempos de reality shows, o fenômeno de vendas é uma série sobre vampiros. E não vai deixar de ser assim. Queira o homem de terno branco ou não.

Texto: Ale Lucchese
Anúncios

Um comentário sobre “O homem do terno branco

  1. Pingback: Tom Wolfe decepciona no Fronteiras « Interpretando

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s