Gigante, o filme

Não faz muito tempo que a gente publicou aqui uma resenha de La Teta Assustada, filme que ganhou o Urso de Ouro de Berlim deste ano. Hoje viemos aqui de novo pra tratar de outro filme latino premiado: Gigante, do diretor Adrián Biniez, Urso de Prata em Berlim. Segundo Luiz Carlos Merten, o mais midiático crítico de cinema do Brasil, Gigante é ainda melhor do que o La Teta Assustada, apesar de ter recebido prêmio menor. Sei lá, não me atreveria a concordar, pois acho que afirmar isso é como comparar laranjas com bananas, não dá pé, são coisas distintas. Mas que Gigante é absolutamente genial, isso é mesmo.

Não apenas genial, é um filme corajoso. A ideia é tão simples que chega a comover: um rotundo e tímido segurança de supermercado se apaixona por uma colega faxineira e persegue seus passos a admirando. A maneira de contar essa história então consegue ser ainda mais simples: assim como o protagonista espia a faxineira através das câmeras de supermercado e das ruas uruguais, nós espiamos ele na tela de cinema.

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Gigante transcende o cotidiano de maneira  bem simples: indo fundo nele. E é assim que o filme resgata o encantamento e a candura que povoam nosso dia-a-dia. Por conta disso, é provável que alguns acharão um filme moroso, arrastado, tedioso, e sairão do cinema odiando minha indicação. O problema é que esses não se dão conta de que o arrasa-quarteirão e a hiper-emotividade é apenas uma das possibilidades de se fazer cinema – que eu curto muito, diga-se de passagem – mas que não é única. Então deem uma chance pros sentidos e provem algo novom, sem preconceito.

Já pra quem se interessou pelo Gigante, a Thais vem me lembrar que o cinema uruguaio é muito bom nesse lance de narrar hitórias simples, intimistas, com poucos personagens.  E dois exemplos muito bons são Whisky e O Banheiro do Papa.  Além disso, esses são dois títulos que se relacionam de alguma forma com o Brasil, o que gera uma identificação para quem quer começar a descobrir a América.

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2 comentários sobre “Gigante, o filme

  1. Ô, fiquei curiosa pra ver. De cinema uruguaio só conheço o banheiro do papa mesmo, que tem essa coisa que a gente está até desacostumado de ver com tantos efeitos especiais e tramas mirabolantes holywodianas – é um filme que tem como maior pretensão contar bem uma história.

  2. e 25watts tb. cinema uruguaio tem sido algo mesmo – a produçao ainda é pequena, se comparada a da Argentina ( k produz cerca de 70/80 filmes por ano, contra uns 5/6 do uruguai) mas os caras têm conseguido combinar histórias bonitas, roteiros bem amarrados, fotografia competente, e os orçamentos curtinhos, mas levando prémios!!

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