Fotógrafos-que-nos-fazem-viajar: Annie Leibovitz

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O caso entrou nos jornais há pouco tempo. Annie Leibovitz, geralmente tratada como “fotógrafa de celebridades”, foi à bancarrota e está devendo US$ 24 milhões – talvez perca, além de imóveis, os direitos autorais de todas as suas fotos. Pois é, é lamentável que só assim Os Estrangeiros puderam lembrar do quanto o trabalho de Leibovitz nos fez viajar e precisa sim adornar essas páginas. Desculpas feitas, vamos à ela.

A jovem Annie começou a fotografar quando estudava arte na Califórnia, na década de 1960. Estava fascinada pela portabilidade das câmeras, por poder fotografar seu cotiano, recortar a realidade com rapidez, magia e criatividade. Logo foi absorvida pela redação da eminente revista Rolling Stone e alçou voo com a equipe rumo à popularidade. Rapidamente Annie se tornou chefe de fotografia de uma das revistas  que mais rapidamente se tornou uma das publicaçõe mais influentes do mundo.

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Perfeccionista ao extremo, costumava tirar centenas de fotos para publicar até uma simples nota na revista. Viajou em turnê para fotografar a banda Rolling Stones e 1976, voltando com milhares de negativos e o vício aprofundado por pílulas, álcool e cocaína. O próprio editor da revista ficou feliz com sua saída para a revista de moda Vanity Fair, pois via que o meio rocanrol estava consumindo o corpo e os nervos da melhor fotógrafa que já tinha visto em ação. “A Rolling Stone sobreviverá sem Annie, mas Annie não sobreviverá com a Rolling Stone”, ponderou Jan Wenner, o eterno editor-chefe da publicação.

Na Vanity Fair, Leibovitz abandonou de vez o estilo rápido do fotojornalismo, fazendo ensaios com produções cada vez maiores. Máquinas e cenários cada vez mais caros se revertiam em capas que logo se esgotavam nas bancas de revista. Assim, todas as grandes publicações de moda passaram a encará-la como um luxo caro e necessário.

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A fotógrafa também foi se especializando em tirar a roupa de seus modelor. O papo é que no mundo fashion ela é conhecida por conseguir deixar seus fotografados “bem à vontade”. E já era assim nos tempos de Rolling Stone, quando ficou célebre por fazer fotos de John Lennon nu agarrado à Yoko Ono, poucas horas antes do ex-beatle ser assassinado.

Leibovitz foi duramente criticada pela imprensa em 2006, ao incluir em meio a uma exposição de seus trabalhos as imagens de sua ex-companheira, a celebridade intelectual Susan Sontag, já fragilizada pelo câncer, e até mesmo morta na sala dos fundos de uma capela funerária. “Leibovitz tratava Sontag como sua celebridade pessoal”, alguém influente disse.

O que esses bundas-moles não entendem é que não existem duas Annies Leibovitz: uma que vive e outra que tira fotos. É como dizer que foi pouco profissional Van Gogh pintar um quadro em que aparece com a (falta de) orelha enfaixada. “Cortar a própria orelha é problema pessoal do tio Gogh, ele que nos poupe de suas excentricidades”, diria o New York Times. A arte acompanha o artista em tempo integral – seja fazendo fotos pra Vanity Fair, no funeral da família ou dando cambalhotas no trampolim.

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Para conhecer mais, tem essa reportagem muito boa da New York Magazine (clica aqui), ou ainda o documentário Annie Leibovitz: a life through a lens.

Fotos: Annie Leibovitz
Texto: Ale Lucchese
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