City (poetry and) caos

Natalia_Tonda_filmramic

Natália tinha quinze anos, juntou sua grana e finalmente decidiu: “vou comprar minha câmera”. Não demorou muito e estava passando suas economias para uma desconhecida atrás de uma catraca de metrô em São Paulo e recebendo uma misteriosa caixa em troca. Encontro terminado, cada uma seguiu seus próprios redemoinhos de fluxo de gentes. As mãos de Natália agora não suavam  mais e nem estavam frias, tudo tinha dado certo, a vendedora apareceu, repassou a máquina, pegou a grana, foi embora… Mas a inquietação era ainda maior:

– Mãe, olha só o que eu comprei!

– Mas isso é só uma câmera de plástico, minha filha…

O encontro de Natália com a vendedora não poderia ser mais coerente com sua arte: em meio ao caos urbano, Natália Tonda encontra os encontros, os desencontros, a euforia, a paz, a cor, as formas do disforme, a poesia. Tudo sobreposto, tudo em cortes, tudo em contínuos: tudo sincrônico como uma cidade. Alguém que emerge do fluxo pela sua imersão – e atenção – profunda no próprio fluxo. A vida acontece em catracas de metrô.

Hoje Natália estuda e trabalha com fotografia em Porto Alegre. Ainda usa a Colorsplash que comprou com quinze anos, uma Holga e uma Diana, além de uma Fisheye – que apesar de não funcionar, presta serviços decorativos. Conheça melhor o trabalho clicando aqui.

Natalia_Tonda_city_caos

Texto: Ale Lucchese
Fotos: Natália Tonda

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