Em busca do barato perfeito

532408Um jovem senhor de 39 anos sai dos Estados Unidos, se embrenha pela Colômbia,  Equador e Chile, é roubado, enganado pelos nativos, preso, pega malária no meio da selva , e convive com espasmos constantes decorrentes da fissura do seu vício em heroína – droga que parece não ter acesso na América do Sul. Mas em nenhum momento ele pensa em desistir.  Motivado por o quê?

A resposta é pelo yage, mais conhecido como ahayuasca aqui entre nós. Sim, a planta que faz a infusão bebida em cerimoniais do Santo Daime. William Burroughs banca essa viagem em busca do barato definitivo, se estrepa muito pelo caminho, mas acaba conseguindo o que quer.

A busca pela droga perfeita foi o que fez Burroughs, e mais tarde seu amigo e poeta Allen Ginsberg, cair fora do “progresso” material do pós-guerra norte-americano com o ímpeto, força de vontade e obstinação de um guerrilheiro. Talvez Burroughs e toda sua patota beat sejam mesmo guerrilheiros, abrindo o peito em direção a outras formas de apreensão e compreensão da realidade que fossem além do esquematismo tecnocrata. E neste momento e movimento a chapação era um dos únicos portos seguros contra o violento absolutismo da razão.

As cartas que Burroughs escreve para Ginsberg em 1953, e que Ginsberg escreve para Burroughs em 1960, ambos em meio a busca pela ayahuasca na América Latina, viraram o livro Cartas do Yage. Encontrei há poucos dias uma edição de bolso da L&PM, comprei e devorei rapidamente de ontem pra hoje a aventura toda. Custa oito pilas. É um bálsamo para todos que gostam de viagens – em todos os sentidos que essa palavra pode ter.

Texto: Ale Lucchese
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Um comentário sobre “Em busca do barato perfeito

  1. O livro é interessante para quem curte Burroughs e Allen e tb se interessa por ayahuasca. A parte final, da experiência do Allen e a carta respota do Bill são uma joia preciosa da consciência alterada criadora.

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